A CoronaVac é eficaz contra as novas variantes do coronavírus?

Compartilhe Essa notícia

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email

Dentre as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil, está a CoronaVac, desenvolvida pela biofarmacêutica Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan. No entanto, desde o fim do ano passado, as variações do coronavírus têm preocupado os especialistas, como as variantes da África do Sul (batizada de 501.V2) e de Manaus (P.1), que possuem a mutação E484K. Seria a CoronaVac capaz de lidar com essas variações? Alguns virologistas e microbiologistas acreditam que sua eficácia será a menos afetada por variantes.

Segundo os especialistas, que foram entrevistados pela BBC News Brasil, isso se deve ao material genético que o imunizante utiliza. Acontece que a CoronaVac contém o vírus SARS-CoV-2 inativado, enquanto as demais vacinas injetam genes da proteína espicular do coronavírus, que age como ponto de ligação com as células humanas.

A mutação E484K ocorre exatamente nessa proteína (no ponto de ligação entre o vírus e a célula). Esse é o local onde os chamados anticorpos neutralizantes, que são produzidos pelo sistema imune, se encaixam para impedir a entrada do vírus na célula. Tendo isso em mente, vamos aos fatos: as vacinas que focam na proteína da coroa do vírus apostam na produção desse tipo de anticorpo. Estamos falando de Oxford-AstraZeneca, Moderna, Pfizer e Novavax. O grande problema é que as variantes de Manaus e África do Sul parecem ser capazes de contornar a ação de anticorpos neutralizantes.

Mas segundo esses especialistas, o caso da CoronaVac é diferente, visto que ela aposta no vírus inteiro inativado, não apenas no gene da proteína espicular (também chamada de spike). Então várias células do sistema imune são ativadas e são produzidos vários outros anticorpos, não só os neutralizantes.

O virologista Julian Tang, professor da Universidade de Leicester, no Reino Unido, estima que o percentual global de eficácia da CoronaVac (50,38%) pode ser menos afetado pelas variantes de Manaus e África do Sul. Por ter escolhido utilizar o vírus inteiro (inativado) na vacina, a vacina pode obter vantagem no combate a variantes com a mutação E484K. Segundo o virologista, ao injetar o vírus inteiro inativado, a CoronaVac induz anticorpos que interagem com todas as outras 20 a 30 proteínas que o compõem. O especialista ressalta que, embora esses anticorpos não neutralizem o vírus, eles reduzem o grau de infecção e a transmissão.

A BBC ainda menciona que, segundo as pesquisas realizadas no momento, as vacinas continuam apresentando eficácia contra casos graves, pois os anticorpos e linfócitos ajudam a reduzir a concentração e multiplicação do vírus no organismo, garantindo quadros menos graves da doença.

Fonte: BBC News/Canaltech por Nathan Vieira – Foto: getty imagens

 

0
Rodrigo Kawasaki

Rodrigo Kawasaki

Editor-chefe da Público A.