Cardiologista alerta para os efeitos da MDMA

Compartilhe Essa notícia

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email

Você já ouviu falar em MDMA? Trata-se da sigla para metilenodioximetanfetamina, a droga da balada, bastante popular, ao que parece, entre jovens. A substância se assemelha a microcristais ou uma espécie de pó mais grosso. Quando diluído em água (ou comumente em bebida alcoólica), ou em contato direto com a saliva, entre 20 e 25 minutos após seu consumo, provoca euforia, bem-estar, distorção da realidade e até alucinações.

Segundo a cardiologista e clínica médica, Dra. Thais Moreno, os efeitos não param por aí. Com a dilatação da pupila, as luzes ganham um brilho especial e os olhos ficam mais sensíveis, daí os óculos de lentes amarelas e o mais notável: uma hipersensibilidade do tato. “Qualquer toque no corpo, sob o efeito da droga, tem a sensação multiplicada de prazer. Fisicamente falando, o cristal age no cérebro aumentando a quantidade de noradrenalina, dopamina e serotonina nas sinapses responsáveis pela sensação de bem estar e prazer”, explica a cardiologista.

A médica alerta que essa sensação passageira de bem estar ‘pode sair cara’ e ter consequências muito graves. “Pode ocorrer overdose com um único comprimido de MDMA. Os sinais são: aumento da pressão arterial, coração acelerado, temperatura corporal muito elevada, confusão mental, dor de cabeça, vômito, perder o controle sobre os movimentos do corpo, tremores, muita sede e problemas para urinar (inibe hormônio antidiurético). Tem pessoas que abrem quadros psicóticos permanentes. Algumas pessoas morrem após reações adversas no coração, cérebro e nos rins, causadas por aquecimento excessivo do corpo e desidratação. Algumas pessoas podem morrer na primeira vez em que usam a substância. A dose que leva à overdose é variável, não há um parâmetro estabelecido’, esclarece a especialista.

É provável que o maior risco da droga, no entanto, não advenha diretamente do MDMA. Como toda substância ilegal, ninguém pode garantir o conteúdo da substância que é vendida numa festa. Alguns continham cafeína e metanfetamina – droga com alto poder de vício. “Em 1995 fizeram uma pesquisa nos entorpecentes apreendidos em São Paulo, menos de 10% eram MDMA puro. Hoje o usuário geralmente está tomando uma combinação variada de drogas e frequentemente substâncias tóxicas”, diz.

“Não existe evidência científica de dependência por Ecstasy ou MDMA. Normalmente os casos descritos são polidependentes. O que novas pesquisas da Universidade John Hopkins trazem são evidências de que o MDMA causa danos permanentes em determinadas células do cérebro”, finaliza.

Sobre Thais Moreno

Residência em Clínica Médica pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Cardiologia pelo Instituto Dante Pazzanese de São Paulo. Especialista em Melhoria Contínua pelo Institute for Healthcare Improvement. Fala sobre cardiologia com foco em prevenção cardiovascular, hipertensão, insuficiência cardíaca, problemas cardíacos na mulher pós-menopausa e no homem com andropausa.

Foto: divulgação

 

 

0
Rodrigo Kawasaki

Rodrigo Kawasaki

Editor-chefe da Público A.