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Galeria Multiarte apresenta exposição de Candido Portinari de 05 de julho a 17 de agosto

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Candido Portinari nasceu em uma fazenda de café na cidade de Brodowski, interior de São Paulo. De origem humilde, descendente de imigrantes italianos, contava somente com instrução primária. Ainda muito jovem, veio para o Rio de Janeiro e matriculou-se na Escola Nacional de Belas Artes. Foi aluno de desenho figurativo de Lucílio de Albuquerque e de pintura com Rodolfo Amoedo, Batista da Costa e Rodolfo Chambelland, os grandes mestres da arte acadêmica, tendo como companheiro de academia o cearense Vicente Leite, seu grande amigo até a morte prematura deste, em 1941. A partir de sua formação, em 1928, conquistou o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas-artes, o mais cobiçado prêmio disputado pelos artistas. Viaja para Paris, na França, e ali permanece até o ano de 1931.

Sua chegada ao Brasil foi determinante e, aos poucos, superou sua formação acadêmica. Assim, a pintura de Portinari torna-se moderna com uma conotação social bastante acentuada. Nessa época, participa do “Salão Revolucionário”, como fica conhecida a 38ª Exposição Geral de Belas-artes, de 1931, em razão de ter abrigado, pela primeira vez, artistas de perfil moderno. O evento foi organizado pelo arquiteto e urbanista Lucio Costa, durante sua curta administração, entre 1930 e 1931. Nas palavras de Lucio Costa:

“O Salão, por exemplo – que exprime sobejamente o nosso grau de cultura artística –, diz bem do que precisamos. De ano para ano, tem-se a impressão de que as telas são sempre as mesmas, as mesmas estátuas, os mesmos modelos, apenas a colocação ligeiramente varia. Apesar do abuso de cor (ter colorido gritante, julgam muitos, é ser moderno), sente-se uma absoluta falta de vida, tanto interior como exterior, uma impressão irremediável de raquitismo, de inanição […]. Tem-se a impressão que vivemos em qualquer ilha perdida no Pacífico, as nossas últimas criações correspondem ainda às primeiras tentativas do impressionismo”.

A Comissão Organizadora do Salão de 1931 optou por não excluir nenhum dos trabalhos inscritos, o que fez com que a mostra tivesse um número recorde de obras expostas: 506 pinturas, 129 esculturas e 35 projetos de arquitetura. Entre os participantes, estavam alguns dos principais pioneiros do modernismo brasileiro, além de artistas um pouco mais jovens, que só então começavam a aparecer, como: Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Victor Brecheret, Ismael Nery, Cicero Dias, Alberto da Veiga, Guignard, Di Cavalcanti e Gomide. Ainda segundo Lucio Costa: “Três novos artistas se firmam de forma definitiva no Salão: Vitorio Gobbis, Guignard e Portinari [que participa com 17 obras]. São para mim as revelações do Salão”.

Tais fatos históricos serviram como pano de fundo para apresentar a exposição e a publicação O Universo Gráfico de Candido Portinari, em que o processo criativo do artista é mostrado plenamente, de acordo com núcleos temáticos, para uma melhor compreensão de seu trabalho.

Portinari produziu, ao longo da vida, aproximadamente 5.400 obras: pinturas, desenhos e gravuras, todas catalogadas e reproduzidas em cinco volumes – Candido Portinari Catálogo Raisonné –, os quais se constituem na principal fonte de pesquisa monográfica de um artista brasileiro. Trata-se um estudo sem precedentes, fruto de um trabalho de cerca de 40 anos feito pelo Projeto Portinari, dirigido por seu filho, João Cândido.

Serviço
Exposição Universo Gráfico de Candido Portinari (1903-1962)
De 5 de julho a 27 de agosto de 2019, na Galeria Multiarte (Rua Barbosa de Freitas ,1727, Aldeota).
Visitação de segunda a sexta-feira das 10h às 18h. Gratuita.
Informações: (85) 3261-7724 / galeriamultiarte.com.br

Rodrigo Kawasaki

Rodrigo Kawasaki

Editor-chefe da Público A.