[PÚBLICO A ECONOMIA] Tecnologias devem gerar 768 mil empregos na indústria de transformação em 10 anos

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As novas profissões relacionadas à digitalização da indústria de transformação e dos serviços produtivos serão responsáveis por quase 768 mil oportunidades de trabalho dentro dos próximos dez anos. Isto significa que as tecnologias responderão pela geração de mais de 5% das 14,9 milhões de vagas projetadas para estes setores em todo o Brasil. É o que revela o estudo “Profissões Emergentes na Era Digital: Oportunidades e desafios na qualificação profissional para uma recuperação verde”, que identificou tendências e 14 carreiras em ascensão no curto (2 anos), médio (5 anos) e longo prazo (10 anos) no setor secundário da economia.

Em curto prazo, a maior lacuna é para a função de operador digital – em dois anos, deverão ter formados 39,4 mil profissionais, enquanto a demanda é de 345 mil (déficit de 89%). Porém, nos próximos 10 anos, esse descompasso deve cair para 57%.

Também chama a atenção o profissional de manufatura aditiva, que pode manter a diferença entre oferta e demanda laboral em 75% – em uma década, estão previstos 2,7 mil egressos e a demanda será de 11 mil. Especialistas em digitalização também são destaques.

Portanto, são números que vêm a reforçar a importância da formação de mão de obra para atender cada vez mais rápido a esse mercado. Isto porque, só nos próximos dois anos, a demanda será de 401 mil profissionais, porém só haverá 106 mil disponíveis, o que representa uma lacuna de 74%. É o que constatam ainda os pesquisadores do Núcleo de Engenharia Organizacional (NEO) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ – Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit GmbH), que conduziram o estudo, realizado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Segundo a pesquisa, esse processo deve se intensificar e se tornar realidade não só nas grandes indústrias, mas também nas médias e pequenas. Além do que, as mudanças nos empregos existentes, as novas tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0 – como internet das coisas (IoT), computação em nuvem (cloud), big data e inteligência artificial – terão o potencial de reduzir a desigualdade social e os recursos utilizados, assim como aumentar a participação das mulheres e dos jovens, a eficiência e a competitividade do país.

Tendência, conclui ainda o estudo, que contribuirá para que, no pós-pandemia, o Brasil tenha uma recuperação verde. Ou seja, um modelo de desenvolvimento que concilia fatores sociais, ambientais e econômicos.

“Consideramos o cenário brasileiro atual e o impacto da transformação digital para mostrar a importância de determinadas profissões na definição de uma estratégia nacional de desenvolvimento econômico sustentável”

Martin Studte, assessor Técnico da GIZ
Qualificação é a recomendação

“O estudo aponta que, para o curto prazo, a maior lacuna é justamente para a função de operador digital, até por conta da evolução do maquinário utilizado pela indústria. Assim, o nível de qualificação para estes operadores se tornou bem mais complexo, pois as máquinas utilizam tecnologias muito avançadas para o perfil do operador padrão. Percebemos, então, a inevitável especialização deste profissional com competências não só relacionadas à operação, mas, também, ao suporte integral do equipamento, ressaltando as diversas tecnologias que envolvem isso, como mecânica, eletroeletrônica, tecnologia da informação, entre outras”, explica a gerente de Educação do Senai Ceará, Sônia Parente.

Nesse sentido, ela conta que existem empresas que estão correndo atrás destes profissionais no mercado, já entendendo a sua importância e valor.

“Percebe-se então, uma vertente que será a tônica nos próximos anos, maquinários na indústria com cada vez mais tecnologias embarcadas e exigindo cada vez mais por profissionais capacitados nessas tecnologias. Ao mesmo tempo, muitos profissionais também estão percebendo a necessidade de evolução e já buscam se capacitar para atender a esse cenário de evolução tecnológica”

Sônia Parente, Educação do Senai Ceará
Aliás, explica o professor André Lunardi, coordenador dos cursos de Engenharia de Computação e Engenharia de Controle e Automação da Universidade de Fortaleza (Unifor), “quando se pensava que uma máquina iria retirar o posto de trabalho de um trabalhador, ela, na verdade, poderá, na maioria dos casos, melhorar a forma de desempenhar a sua função e ainda abrir outras oportunidades (mais turnos de trabalho) para outros funcionários. Salientando também que esta nova função exige uma maior capacitação”. “É neste sentido que estamos caminhando”, fala.

Novas tecnologias: oportunidades na formação

No entanto, ressalva Parente, o setor ainda enfrenta desafios. Embora, existam empresas que já estejam atrás de profissionais mais capacitados nas novas tecnologias, por outro lado diz, “nem todas as empresas enxergaram essa necessidade, até por conta de fatores como obsolescência de parque fabril, inobservância das vantagens de uso dos recursos digitais, até mesmo por conta da pandemia, onde muitas lutaram pela sobrevivência”.

“Porém, empresas de médio e grande porte, tem, sim, percebido essa necessidade e vem buscando capacitar seus profissionais. Isso é claramente percebido na ocasião da realização dos Comitês Técnicos Setoriais realizados pelo Senai. Estes Comitês têm como objetivo adequar a oferta formativa da instituição às demandas do mercado, através da definição de perfis profissionais que detalham as competências necessárias ao exercício profissional dos trabalhadores, bem como o contexto de trabalho em que irão atuar, apontando, também, novos contextos e novas possibilidades de atuação do profissional”

André Lunardi, coordenador dos cursos de Engenharia de Computação e Engenharia de Controle e Automação da Universidade de Fortaleza (Unifor)
De acordo com a gerente de Educação do Senai Ceará, em 2020, foi desenvolvido um Comitê para escutar as empresas e desenvolver cursos alinhados às suas necessidades. “Desta discussão, saíram o desenho de dois cursos técnicos totalmente alinhados com as novas tecnologias habilitadoras, são eles: Técnico em IOT – Internet das Coisas e Técnico em Cibersistemas para Automação”, conta.

Outro ponto importante, emenda Lunardi, da Unifor, é a formatação de parcerias e alianças entre empresas do setor privado e as instituições de ensino, “a fim de levar este direcionamento na forma de ensino baseado em metodologias ativas, como a Aprendizagem Baseada em Problemas (Problem Based Learning), Estudo de Casos Aplicados e Ensino Baseado em Competência”.

O cenário no Ceará

De acordo o professor, atualmente, no Ceará, quando há a divulgação de novas vagas de estágio e emprego, é possível observar a busca por profissionais tanto com conhecimentos técnicos específicos como também com competências de vidas, ou seja, cognição, colaboração, comunicação e cidadania. “O mercado busca por um profissional que se engaje no segmento, que traga valores e uma maior sinergia tanto entre o uso da tecnologia e inovação como relacionado a todos em sua volta. Nosso mercado busca um profissional multidisciplinar, mais polivalente e principalmente disposto a inovar”, avalia.

Ainda nessa direção, aponta Sônia Parente, do Senai Ceará, com o intuito de prover a mão de obra necessária às novas demandas da indústria de transformação, a entidade vem acompanhando essa evolução e as convergências e fusões de tecnologias habilitadoras utilizadas no âmbito industrial, para atualização de seus laboratórios, formação de docentes e adequação de seu portfólio, de modo a difundir o uso destas temáticas nas empresas, que necessitam de formação de mão de obra especializada.

“O surgimento de tecnologias como Sistemas ciber físicos que interligam softwares a sensores, atuadores, Big Data, Computação em Nuvem e outros recursos, alavancaram e muito o crescimento das áreas de TI – Tecnologia da Informação, Telecomunicações, Automação e Mecatrônica. Diante deste cenário, o Seni Ceará iniciou um projeto para expandir seus laboratórios, número de docentes e portfólio voltados para estas temáticas, criando uma escola de referência no assunto no estado”, detalha.

Fonte: TrendsCE por Anchieta Dantas Jr – Foto: freepik

Rodrigo Kawasaki

Rodrigo Kawasaki

Editor-chefe da Público A.