[PÚBLICO A SAÚDE] Desvendando o mistério de por que comemos demais

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Comer é um dos maiores prazeres da vida, e comer demais é um dos problemas crescentes da vida.

Em 2019, pesquisadores do Laboratório Stuber da Escola de Medicina da Universidade de Washington descobriram que certas células se iluminam em ratos obesos e evitam sinais que indicam saciedade ou sensação de saciedade. Agora vem um mergulho mais profundo sobre o papel que essas células desempenham.

Um estudo publicado em 7 de outubro na revista Neuron relata a função dos neurônios glutamatérgicos em camundongos. Essas células estão localizadas na área hipotalâmica lateral do cérebro, um centro que regula os comportamentos motivados, incluindo a alimentação.

Os pesquisadores descobriram que esses neurônios se comunicam com duas regiões cerebrais diferentes: a habenula lateral, uma região cerebral fundamental na fisiopatologia da depressão, e a área tegmental ventral, mais conhecida pelo papel principal que desempenha na motivação, recompensa e vício.

“Descobrimos que essas células não são um grupo monolítico e que diferentes sabores dessas células fazem coisas diferentes”, disse Stuber, professor adjunto de anestesiologia e medicina da dor e farmacologia da UW. Ele trabalha no UW Center for the Neurobiology of Addiction, Pain, and Emotion, e foi o autor sênior do artigo. Mark Rossi, instrutor interino de anestesiologia e analgésicos, é o autor principal.

O estudo é mais um passo na compreensão dos circuitos cerebrais envolvidos nos transtornos alimentares.

O Laboratório Stuber estuda a função dos principais grupos de células no circuito de recompensa do cérebro e caracteriza seu papel no vício e na doença mental – na esperança de encontrar tratamentos. Uma questão é se essas células podem ser atingidas por drogas sem prejudicar outras partes do cérebro.

Seu estudo recente analisou sistematicamente os neurônios glutamato hipotalâmicos laterais. Os pesquisadores descobriram que, quando os ratos estão sendo alimentados, os neurônios na habenula lateral são mais responsivos do que aqueles na área tegmental ventral, sugerindo que esses neurônios podem desempenhar um papel maior na orientação da alimentação.

Os pesquisadores também analisaram a influência dos hormônios leptina e grelina na forma como comemos. Acredita-se que tanto a leptina quanto a grelina regulem o comportamento por meio de sua influência no sistema dopaminérgico mesolímbico, um componente-chave da via de recompensa no cérebro. Mas pouco se sabe sobre como esses hormônios influenciam os neurônios na área hipotalâmica lateral do cérebro. Os pesquisadores descobriram que a leptina embota a atividade dos neurônios que se projetam para a habenula lateral e aumenta a atividade dos neurônios que se projetam para a área tegmental ventral . Mas a grelina faz o oposto.

Este estudo indicou que os circuitos cerebrais que controlam a alimentação, pelo menos parcialmente, se sobrepõem aos circuitos cerebrais envolvidos na dependência de drogas.

O estudo contribui para o crescente corpo de pesquisas sobre o papel do cérebro na obesidade, que a Organização Mundial de Saúde chama de epidemia global. Novos dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças mostraram que 16 estados agora têm taxas de obesidade de 35% ou mais. Isso é um aumento de quatro estados – Delaware, Iowa, Ohio e Texas – em apenas um ano.

Fonte: Medical Xpress – Foto: freepik

Rodrigo Kawasaki

Rodrigo Kawasaki

Editor-chefe da Público A.